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Detalhe de Carta do Brasil do Atlas de Sebastião Lopes, 1565 - extraído do artigo "The representation of Ceasalpinia echinata (Brazilwood) in sixteenth-seventeenth-Century Maps" de autoria de Yuri T. Rocha, Andrea Presotto e Felisberto Cavalheiro - fonte: http://www.scielo.br/pdf/aabc/v79n4/a14v79n4.pdf |
Acredito que muita gente não tenha atinado para o fato de o Brasil ser o único país no mundo que tem nome de árvore. Eu mesmo, quando aprendi isso fiquei assombrado, senti um orgulho danado, mas para conhecer um pau-brasil de fato, na sua esplendorosa ‘arvoridade’ tive que esperar bastante, da mesma forma que esperei para ver, livres na natureza, uma arara azul, um lobo-guará, um tamanduá-bandeira e outras inúmeras maravilhas da nossa biodiversidade, que poucos de nós brasileiros conhecemos.
Foi encanto à primeira vista, donde pude comprovar por
experiência própria, como é difícil gostar do que não conhecemos, quiçá então
nos empenharmos na proteção daquilo que não gostamos. No Brasil me parece que
isto acontece frequentemente nas casas legislativas, especialmente no congresso
nacional, onde sob uma pretensa intenção protecionista, se legitimam coisas
absurdas, ignóbeis, como é o caso do novo código florestal aprovado na última
semana, que impõe a todos nós brasileiros a indignidade de anistiar quem
desmatou ilegalmente até 2008. Fico pasmo com tal injustiça cometida contra
todos os proprietários rurais que cumpriram a lei e as regras vigentes. É
estarrecedor constatar isso, mas nos faz crer que o crime compensa, afinal
desmatar ilegalmente era crime ambiental e quem o cometeu, agora vai ser premiado.
Volto ao caso do pau-brasil pelo seu simbolismo emblemático.
A sua exploração desenfreada sustentou o primeiro ciclo econômico dos
colonizadores portugueses nos anos 1500, até que a mata atlântica foi dizimada
e a árvore que nos identifica a nacionalidade tenha virado sinônimo de tintura
de tecido, móveis de elite e arcos de alguns dos mais cobiçados violinos. Durou
pouco a farra e logo-logo só tínhamos Brasil no nome e nada na mata. O
pau-brasil chegou a ser considerado extinto até 1928, quando alguns exemplares foram
reencontrados nas matas de Pernambuco e deram início a um belo projeto de
perpetuação da espécie. Lembrei dessa história porque no próximo dia 03 de maio
se comemora o dia do pau-brasil, criado por lei, no mesmo congresso que agora
nos assusta com uma votação que sinaliza para a contra mão da história. O mundo
inteiro se prepara para participar da Conferência das Nações Unidas sobre o
Desenvolvimento Sustentável, que acontecerá no Rio de Janeiro no mês de junho,
enquanto a câmara dos
deputados comete esta
sandice. É assustador.
Espero
que a presidente Dilma num lampejo de lúcida grandeza de estadista, vete os
absurdos do código, assombre os ultrapassados e fortaleça nosso orgulho de ser
brasileiro. Afinal, somos o único povo que tem árvore no nome.
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