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sábado, 28 de abril de 2012

Sobre árvores



Dia desses sonhei viver numa cidade sem árvores. No sonho não era exatamente uma metrópole cinzenta de asfalto, viadutos e concreto, porque tinha um tom esverdeado, meio esmaecido puxando pro amarelo, mas com um ‘q’ de verde herbáceo, tipo capim-braquiária no mês de maio, quando começa a estiagem e a sombra úmida do arvoredo vira sonho para os transeuntes, que a cada dia que passa, vão perdendo espaço para os automóveis.
No meu pesadelo, a paisagem (ou seria melhor chamar de ‘landscape’?) parecia californiana, mas tenho certeza que era cerradiana mesmo. E não tinha árvores, nenhuminha prá boi dormir.
Já suado, me pus a refletir, será possível viver bem em um lugar totalmente árido? Deve ser, porque afinal para que existem os oásis no meio do deserto. É, mas por lá também tem miragens das ‘brabas’, daquelas que só a insolação delirante pode fazer crer.
Mas não estava sonhando com uma cidade originalmente desértica, onde as pessoas foram desafiadoramente morar, delirei foi com uma urbe de onde foram tiradas todas as árvores, com machado, veneno, motosserra, trator e até com as mãos. Foi um processo demorado e contínuo, tipo doença crônica, que espanta os parentes próximos quando se anuncia, mas depois nos acostumamos, conforme vão se passando os carnavais.
Lembro que no início do sonho teve até protesto, alguém subiu nos galhos para desafiar o funcionário armado com sua motosserra que rugia furiosa, mas depois o desmate foi tão grande e o furor deslumbrado com o asfalto novo foi tão encantador, que quem ousava reclamar do corte de um ipê ou pau-brasil na pracinha da sorveteria mais tradicional da cidade, começou a ser achacado publicamente. Protestar contra o corte de árvores virou ato terrorista de quem não gostava da cidade. Que fosse embora o maldito.
Talvez tenha ido, porque nunca mais se ouviu reclamos e logo adiante, nunca mais se viu árvore alguma.
Ainda bem que foi sonho. Tomara que não sonhe em breve, com um lugar cujo povo ficou sem água, porque acreditou que não precisava de árvores.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Moving Planet

Dia 24 de setembro ocorreu uma manifestação mundial por soluções para a crise climática do nosso planeta. Em milhares de cidades do mundo, pessoas participam voluntariamente, abandonando seus veículos em casa e se locomovendo de um modo mais sustentável, a pé, de bike ou de outro modo não poluente. Acontece desde 2009 e é considerada a maior mobilização por um dia livre de combustíveis fósseis.
Como por aqui (Uberlândia) não há uma ação coletiva articulada, fica a sugestão para que cada um de nós abra mão do carro, moto, ônibus, lancha, jet ski ou avião e dediquemos um dia a caminhar, pedalar, nadar, remar, balançar, velejar, enfim movermo-nos sem consumo de combustível fóssil e assim contribuirmos, ainda que timidamente, com esta causa comum que é combater o excesso de gases de efeito estufa que causam mudanças climáticas e colocam em risco a nossa existência na Terra.
As emissões atuais desses gases equivalem a 50 gigatoneladas (Gton) de "CO2 equivalente" por ano, mas estima-se que o planeta absorva apenas 10 Gton, o restante (40 Gton) ficam acumuladas na atmosfera. 
Especialistas afirmam que um carro do tipo "popular" que circule em torno de 30 km/dia lance anualmente 1 tonelada de CO2 na atmosfera, quantidade igual à emitida por um boizinho no pasto, ou por cada passageiro que faça uma viagem de avião para a Europa.
O mais grave é que até 2030 a demanda de energia tende a dobrar, enquanto devemos cortar as emissões drasticamente.
As contas não fecham, então nada como flanar no sábado, por saúde e um clima mais ameno. E para quem acha que uma ação individual é muito pouco, insignificante perante a magnitude do problema, vale lembrar o grande Jorge Luis Borges, autor do Livro dos Seres Imaginários, que depois de voltar de uma viagem ao Egito, escreveu que ao chegar perto de uma das pirâmides, abaixou-se, pegou um pouco de areia com as mãos e pouco adiante, deixou escorrer por entre os dedos e murmurou baixinho: “Mudei o Saara.”
Assista ao vídeo da campanha (no site Moving Planet tem uma versão com legenda em português)

sábado, 6 de agosto de 2011

O Veneno Está na Mesa - Assista

Em um post anterior eu mencionei o lançamento do documentário o "Veneno está na Mesa". Agora tenho a alegria de compartilhar o link para que possam assisti-lo.
Ele é de circulação livre, vale ser divulgado. Quem preferir pode baixar diretamente no site do Soltec - Núcleo de Solidariedade Técnica.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Todo problema traz soluções...

Bill Mollison, australiano criador da Permacultura tem uma frase que bem ilustra o assunto que vou abordar: 
"Todo problema traz soluções. Temos que ver um problema como uma oportunidade de criar".   
É que dia desses fui convidado a participar de uma reportagem da TV Integração sobre o destino final de carcaças de "orelhões" descartadas. Este é um problema crescente, porque atualmente existem no Brasil, mais celulares do que pessoas, então os telefones públicos estão sendo cada vez menos utilizados, diminuindo a demanda por sua colocação e aumentando a ociosidade dos já instalados, que ficam cada vez mais expostos ao vandalismo. Com isso, a quantidade das chamadas "bolhas" que são descartadas, tornam-se um resíduo de difícil destinação, pois são feitas de fibra de vidro, um material compósito, formado por filamentos de vidro com resina poliester. Tem características que são positivas para utilização em uma gama de produtos. É leve, resistente, não enferruja, não conduz eletricidade e pode ficar ao relento indefinidamente. Mas estas mesmas características tornam-se desvantagens na hora da disposição final, pois além de não se decompor, polui o ambiente, tornando-se um passivo ambiental.
Foi aí que a criatividade fez parceria com a necessidade, numa conexão pouco provável.
A CTBC, que tem um montão de orelhões para descartar resolveu apoiar um projeto de reaproveitamento dos distintos para transformá-los em cocho de alimento e água para bovinos em um assentamento de reforma agrária, no município do Prata.
O que era um problema para um tornou-se solução para outro. Ou seja, a preocupação dos acionistas da telefônica com o passivo da empresa, virou ativo para o pequeno produtor rural. Conexão importante, porque ao invés de utilizar madeira e concreto para fazer cochos, o pecuarista recebeu um material sem custos, que lhe será útil por muitos anos. Conexão de tecnologia com produção de alimento, conexão aparentemente pouco provável que deu certo. Parece até conversa para boi dormir.
Veja a matéria que saiu no MG Rural: